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07 março, 2006

01 | Avaliação crítica do sistema Sigarra _ design de interacção e norma ISO 9241

O sistema Sigarra procura juntar em si todos os órgãos constitutivos da Universidade do Porto. Todas as diferentes faculdades apresentam um website semelhante – à excepção da Faculdade de Ciências, mas disto falaremos mais tarde. A grande diferença a nível visual entre os sites das diferentes faculdades acaba por ser o uso da cor – de acordo com a faculdade a que se refere. Além dos sites individuais de cada uma das instituições, existe ainda um outro, correspondente à Reitoria da Universidade.


Comecemos, em primeiro lugar, por efectuar uma breve análise ao aspecto visual deste sistema. Tendo nascido como um projecto bem mais pequeno, a partir da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, este sistema foi crescendo de uma forma pouco cuidada. Este facto encontra-se bastante claro em toda a estrutura do site. A informação aparece de forma pouco cuidada, sendo que existe uma enorme sobrecarga no ecrã.
O site principal do sistema (aquele que funciona como uma espécie de homepage no sistema) é, talvez, aquele que tem uma melhor organização. Existe um menu principal do lado esquerdo, sendo que abaixo deste se encontra a área de log in e um mapa interactivo do campus da Universidade. Logo aqui aponto o primeiro aspecto negativo: a área de log in deveria aparecer acima do menu, não abaixo. O mapa interactivo poderia, também, se situar num outro local da página, talvez mesmo no canto superior direito – que se encontra totalmente desocupado. Num local mais ao centro encontra-se uma lista de notícias recentes, ligadas à UP. Novo problema, já que a informação é muita para o espaço disponível. Uma das soluções seria mesmo apresentar apenas o título da notícia, no qual se poderia clicar para lê-la toda. Mais do lado direito, encontra-se um calendário interactivo, com os eventos disponíveis. Nada a apontar, se não existisse ainda à direita deste um outro menu, cuja existência e posicionamento acabam por parecer um pouco estranhos. Denominado “opções”, por que não se encontra ele por baixo do menu principal, do lado esquerdo? Não se justificava a existência de dois menus verticais tão extensos em cada um dos lados do ecrã.
Em páginas com texto (a de apresentação, por exemplo), verificamos que este se encontra demasiado extenso em cada linha, passando em muito as 15 palavras por linha. Deste modo, a leitura é dificultada. Além disso, o texto não se encontra de modo a permitir o re-flow, quando o tamanho da janela é alterado.
Existe uma tentativa de levar o utilizador a ter conhecimento do local do site onde se encontra, através de uma área de tracking (“Você está em:”), mas o local apresentado é sempre “Início”. Logo, não existe qualquer indicação do estado de sistema.


Este problema já se encontra resolvido nos sites individuais de cada faculdade, como pude constatar no caso da Faculdade de Letras. Contudo, ao aprofundarmos o nível de informação, o sistema deixa de nos proporcionar informação sobre o local do site onde nos encontramos, como acontece – por exemplo - na página sobre o programa Sócrates.

Isto contraria o princípio defendido por Tognazzini, já que o utilizador não dispõe de informação sobre o estado do sistema. Comecemos, então, uma análise do sistema Sigarra segundo os princípios defendidos pelo autor.
Segundo ele, deve existir uma antecipação das necessidades e vontades do utilizador, através da explicitação da informação e das ferramentas que despoletam determinadas acções (affordances, por exemplo). Segundo aquilo que o próprio Sigarra define, o público-alvo são os estudantes (quer os actuais, quer os potenciais) e os docentes.Assim, seria lógico desde logo existir uma distinção clara entre estes dois tipos de utilizadores, já que o tipo de necessidades são suficientemente diferentes para que assim fosse. Um aspecto positivo é a inclusão de um botão de ajuda, que se encontra activo em algumas páginas – sendo que assim é na principal, o que permite um entendimento de como o site se encontra dividido e como funciona.
Os ícones são relativamente fáceis de entender e associar à respectiva função (bandeira britânica para conteúdo em inglês, ponto de interrogação para obter ajuda, e o símbolo de segurança para efectuar o log in). Existe uma coerência nestas três ferramentas, já que em todos os sites das faculdades elas têm o mesmo objectivo e posicionamento.



No que diz respeito à informação, a arquitectura adoptada neste site faz com que seja extremamente complicado chegar a certos conteúdos. Além de que, por vezes, chegamos a eles sem saber muito bem como. Este problema poderia ser facilmente atenuado com um mapa do site, bem como a alteração da estrutura do site.
O utilizador do sistema Sigarra possui bastante autonomia, sendo que esse grau elevado o pode conduzir a uma certa inércia, já que o número de opções é muito elevado em cada uma das páginas. Existe algum feedback de sistema, seja através da barra mais clara no menu, à medida em que o vamos percorrendo com o rato, seja através de pedidos de log in para aceder a determinados conteúdos.
Contudo, nem sempre sabemos o que irá acontecer ao clicarmos em determinado link, já que alguns abrem links externos, outros páginas exteriores e outros pdf’s. Logo, nem sempre o utilizador sabe o que irá acontecer (a maior parte das vezes, entenda-se).
Tognazzini defende que a informação não deve ser organizada somente através do uso da cor, o que o sistema Sigarra não faz. A cor é usada apenas de modo acessório e como forma de se ligar à entidade a que se encontra associado – azul-escuro para a Faculdade de Letras, por exemplo – e apenas no banner, fundo do menu principal e títulos.
Como já foi dito, existe uma consistência de funções, operações e estruturas entre todas as diferentes faculdades, à excepção da Faculdade de Ciências. Não se entende muito bem o motivo que levou à diferenciação, mas como é caso único entre 14 faculdades, não me irei debruçar sobre isso.
No que diz respeito à personalização, pura e simplesmente não é possível. Além disso, não existe no site qualquer metáfora com o mundo físico ou com a respectiva tarefa, a não ser que consideremos o clicar no logótipo da Universidade para voltar à homepage.
A Lei de Fitt, em certos casos, acaba por ser respeitada, já que o banner e elementos que nele se encontram apresentam-se numa proporção bastante superior aos restantes elementos visuais.
Navegar no sistema Sigarra exige um relativamente curto período de aprendizagem, isto no que se refere às actividades mais simples. Contudo, quanto mais profundas são as nossas necessidades, maior terá de ser o esforço em busca do conhecimento sobre o modo de funcionamento e sua estruturação.

Relativamente à norma ISO 9241, não me poderei alongar muito, na medida em que apenas conto com a minha experiência de navegação. Contudo, visto que ela se prende com a performance e a satisfação do utilizador, teria que chumbar este sistema, já que o tempo despendido para efectuar uma tarefa tão simples como consultar o programa de uma disciplina é exageradamente elevado. Além de que a falta de orientação dentro do site faz com que o utilizador se sinta pouco satisfeito com este.

Em resumo, o sistema Sigarra apresenta uma vasta lista de problemas a nível de design de interacção, cujo motivo principal é, efectivamente, a ausência de preocupação com as necessidades do utilizador. O sistema foi desenvolvido sem se considerar o utilizador como elemento central do sistema.

4 Comentários:

Blogger Bruno Giesteira disse...

Parece-me que o artigo poderia estar melhor fundamentado ao nível da norma ISO 9241...
Para além disso, o Bruce Tognazzini é, aparentemente, a única refência que conduz a análise ao sistema sigarra.

Fica a sugestão para a edição futura de um novo artigo com uma análise cruzada fundamentada em autores já conhecidos como Jacob Nielsen, Donald Norman, Darryn Lavery, Bruce Tognazzini, entre outros.

Bom trabalho!

11:55 da manhã

 
Blogger Sandra Costa disse...

Concordo que sem dúvida o primeiro erro, e o mais grave, deste sistema foi precisamente o não entenderem o utilizador como elemento central do sistema: as suas necessidades e expectativas não podiam ser satisfeitas se não foram pensadas.

Não houve estudo sobre o público-alvo e se houve não foi minimamente fundamentado, e isso comprometeu toda a eficácia do sistema.

9:46 da tarde

 
Blogger PN disse...

Percebi perfeitamente a ideia, concordo com os pontos essenciais, embora me pareça que, tal como eu, a norma ISO não está explorada aquando da análise.

Eu pessoalmente também utilizei apenas a análise de Tognazzini porque não me pareceu possível fazer um trabalho consistente, usando todos os autores dados, parece-me que teria de ser um trabalho superficial.

Sendo assim, concordo que tenha usado apenas esse modelo de análise, para ao menos aplicar um de forma consequente.

Abraço

12:54 da tarde

 
Blogger António Filipe disse...

Olá Bruno. Gostei do teu blog.
Fiquei "cliente" heheheh.
Num prósimo Post vou mencionar o teu blog.
Entretanto se quiseres dar uma vista de olhos ao meu, e "sacar" uns livritos estás á vontade.
Continuem com o óptimo trabalho.

5:19 da tarde

 

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